Susi Ana Nardi

Quarta-feira dia 28 de agosto às 2:00 horas da manhã estávamos eu e o Eder na Igreja para pegar o ônibus, um frio lascado, eu enjoada com tudo, querendo desistir daquela loucura antes mesmo de ir. Seriam 5 dias em um sítio na cidade de Eldorado – Mato Grosso do Sul, levando apenas o básico e mais nada.
Já na chegada eu não gostei, já estava com vontade de voltar para casa, e assim foi o primeiro dia, na verdade até parte do segundo. Porém, depois que eu parei de pensar no que estava aqui fora e abri meu coração, as coisas mudaram, tanto que eu me entreguei de corpo e alma, e eu realmente precisava curar muitas feridas que estavam abertas em meu peito, eu precisava aceitar Deus em minha vida e dar um novo sentido para ela. Eu estava inconformada com a perda do meu irmão, ele tinha apenas 18 anos, uma vida pela frente, era uma pessoa tão iluminada, fazia tanto bem para todos que o conheciam, mas tinha uma paixão louca por motos, e foi isso que o levou, um trágico acidente de moto. E eu havia perdido a oportunidade de conviver com ele, de cuidar dele da mesma maneira que ele sempre cuidou de mim, meu ciúmes idiota de irmã mais velha nunca me deixou agir diferente, nunca me deixou dizer o quanto eu o amava e o quanto admirava seu caráter, sua bondade e sua coragem.
Essa culpa estava me corroendo por dentro, todas as noites antes de dormir, por mais que eu quisesse apenas rezar para ele, eu não conseguia deixar de chorar e perguntar o porquê, e eu sei que isso além de me machucar ainda mais também o deixava triste, pois como ouvi dos amigos dele, só tinha uma coisa que ele admirava mais que moto, era eu.
A cada momento vivido lá, a partir de um certo momento, eu parei de sentir tanta dor e passei a sentir a presença do Jimy junto com a gente, como se ele estivesse vivendo tudo aquilo junto comigo, como se ele me olhasse e sorrisse.
Foram os melhores 5 dias da minha vida, e ver o Eder ali vivendo o mesmo que eu, com tanta intensidade, me deixou mais feliz ainda, pois vi nossa família sendo formada ali no meio de tanto amor e de tanta fé. Realmente não tem como explicar, a gente mudou, e pra melhor. Conhecemos pessoas tão especiais, aprendemos muito mais do que havíamos aprendido em nossa vida toda.
E ao voltar para Matelândia, tivemos uma recepção maravilhosa. Nós não esperávamos que tivesse ninguém nos esperando na Igreja, mas por incrível que pareça, Deus fez um milagre, e ali estavam meus pais, os pais do Eder, a tia Cleusa, o tio Paulinho e o priminho Gustavo, nos esperando, e também os nossos amigos queridos Vanessa e Diego, Grazi e Anderson. Foi a emoção mais forte da minha vida, pois ali eu vi que Deus tinha resgatado minha família e que seria um novo começo para todos nós.
Ao chegarmos em casa, tudo lindo, enfeitado, presentes, as primeiras roupinhas do nosso bebê dadas pelas vós e pela tia, que coisa mais linda do mundo.
Agradeço a Deus por esta oportunidade de nós três termos vivido tudo isso.
Nas primeiras semanas após o acampamento, eu estava muito bem, feliz, com um propósito muito grande em minha vida, o Eder então, uma nova pessoa, que eu nem sei como descrever o grande milagre que é vê-lo tão abençoado assim. Porém, um tempinho depois bateu novamente uma tristeza, um medo gigante de chegar na casa dos meus pais e não encontrar parte de mim lá. Mas eu consegui entender o porquê disso, na verdade já se passaram pouco mais que três meses desde o seu falecimento, e depois disso eu nunca mais consegui ir para Santa Catarina, onde está minha família, e este tempo longe, somado a percepção de que muitas pessoas que nos cercavam não queriam o nosso bem, não tinham uma amizade verdadeira para conosco, me fizeram sentir além de medo algo parecido com solidão.
Mas mais uma vez Deus mostra como é infinitamente bom e faz as coisas certas. E eis que ressurgem meus queridos irmãos, amigos de fé e me levantam novamente.
E é isso, uma vida renovada na fé, onde temos o imenso prazer e alegria em estar indo para Igreja, louvando a Deus em todos os momentos de nossa vida, falando Dele, tentando fazer com todos os que amamos também sintam toda essa força divina que sentimos. Tenho um companheiro maravilho ao meu lado, um bebê que a cada dia está mais vivo dentro de mim, uma família renovada e unida novamente pela fé e acredito também pela interseção de meu querido irmão, e amigos que representam algo precioso em minha vida, que na distância de minha família e na ausência do meu irmão, são minha família aqui e meus irmãos aos quais eu tenho a oportunidade de dizer o quanto os amo.

Obrigada a todos por fazerem parte da minha vida, e especialmente a Marineusa e ao Adilto por terem nos levado por este caminho.

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